Moedas de R$ 1 viram alvo de falsificadores. Saiba identificar

Em uma olhada rápida, não parece haver nada de errado. Todas elas têm as características das originais, mas basta mais atenção para descobrir que aquela moeda de R$ 1 ou R$ 0,50 recebida na padaria ou no supermercado é falsa. Certezas para isso? A qualidade do relevo do desenho da moeda metálica, tanto do numeral como da efígie da República [o rosto na moeda].

As dicas para não cair no conto da moeda falsa são de Alberto Martins, perito da Casa da Moeda, responsável por fabricar as moedas metálicas no Brasil.

“Se o desenho estiver pouco nítido ou a inscrição da era [ano gravado na moeda] pouco visível, é um grande indício de que a moeda é falsa”, diz Alexandre Magalhães, superintendente de matrizes da Casa da Moeda.

O perito da Polícia Federal especializado em falsificação de dinheiro Mauro Ramos lembra que, caso ainda existam dúvidas, existem outras formas de checar a autenticidade. “Em uma análise pericial, verificamos o peso e as dimensões, além de observá-la com uma lente de aumento para checar todos os detalhes do relevo”, diz Ramos.

As moedas de R$ 1 fabricadas depois de 2002, por exemplo, pesam 7 gramas [veja quadro]. Outro ponto alertado por especialistas é de que moedas falsas normalmente não são atraídas por imãs — em muitos casos, ficam enferrujadas. “A moeda original não enferruja”, destaca Martins, da Casa da Moeda.

Segundo o também perito criminal da Polícia Federal Alexandre Deitos, as moedas passaram a ser cobiçadas por falsificadores pela facilidade de troca e também de fabricação, além de despertarem pouca suspeitas pela falta de hábito das pessoas em verificar se uma moeda metálica pode ser falsa.

Em um intervalo de dois meses a polícia paulista localizou e fechou dois locais que falsificavam moedas metálicas na cidade de São Paulo. Em um desles, um galpão na zona sul de São Paulo, equipes da Polícia Civil encontraram 300 kg de moedas de R$ 1 — o equivalente a R$ 42 mil caso as moedas falsas tivessem o peso aproximado das moedas verdadeiras.

Até mesmo o Banco Central, instituição que é responsável pela circulação do dinheiro no Brasil, tem dificuldades para lidar com casos de moedas metálicas falsificadas.

“As cédulas, o cidadão comum já faz uma verificação quase que automática para checar se não é falsa, seja conferindo a marca d’água ou checando a textura, mas as moedas o cidadão não está tão habituado”, diz o perito da PF Mauro Ramos.

Mesmo as máquinas automáticas que vendem produtos muitas vezes não conseguem reconhecer se a moeda é falsificada, já que os equipamentos fazem uma comparação do peso e do tipo de metal para identificar o valor inserido no equipamento. “Se tiver o mesmo peso e um metal similar, as chances de a máquina aceitar são grandes”, diz o técnico de uma empresa que opera máquinas automáticas, sem querer se identificar.

Fábricas improvisadas

Nas duas fábricas de moedas fechadas pela polícia paulista, os falsificadores utilizavam máquinas de usinagem de metal comuns. Os equipamentos são similares aos utilizados em fábricas que produzem e retificam peças em mecânicas. O material utilizado (o aço) era normalmente retirado de sobras de fábricas.

Uma das máquinas apreendidas era uma prensa alemã, avaliada em R$ 10 mil. Com a pressão feita pela máquina, um molde de ferro era prensado em uma chapa de metal,  “imprimindo” uma cópia da moeda utilizada que serviria de base. Outro equipamento, um tambor rotativo, era utilizado para remoção de rebarbas deixadas pelo processo de corte das moedas.

Segundo um investigador da Polícia Civil, as pessoas detidas nos dois casos tinham conhecimento na operação do maquinário. Uma terceira pessoa, inclusive, havia sido presa em um outro local na Grande São Paulo, apontada como responsável por realizar o tratamento químico para dar a coloração correta para cada parte das moedas de R$ 1 falsificadas.