GSI oferece ajuda à Carmen Lúcia para apurar vandalismo em BH

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ministro Sérgio Etchengoyen , ofereceu à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),ministra Carmem Lúcia, ajuda do governo federal para apurar as responsabilidades sobre o ataque ao prédio no qual a ministra tem apartamento em Belo Horizonte. Nesta sexta-feira (6), o edifício foi todo pichado de vermelho com frases que atacavam o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, e o presidente Michel Temer.

Segundo a assessoria de imprensa do GSI, o general Etchengoyen telefonou para Carmem Lúcia para prestar solidariedade e apoio e ressaltou que considerou “lamentável” o ocorrido.

Procuradas pela Agência Brasil, nem a assessoria do STF, nem a assessoria do GSI informaram se a ministra aceitou a ajuda.

O vandalismo

Segundo relatos de vizinhos, quatro ônibus teriam parado no local e pessoas mascaradas desceram dos veículos e jogaram a tinta no edifício. A Polícia Militar (PM) informou que foi chamada por volta das 16h. Quando chegaram ao local, os policiais não encontraram mais ninguém envolvido na ocorrência.

A assessoria do STF confirmou que a ministra tem um apartamento no prédio e que fica no imóvel a cada 20 dias, quando vem a Belo Horizonte. Segundo o Supremo, Cármen Lúcia não vai se manifestar.

Em uma rede social, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ataque em conjunto com o Levante Popular da Juventude. No post, o movimento disse que cerca de 450 integrantes chegaram por volta das 16h20 em frente ao prédio da ministra. No texto, ele descreve que “foram atiradas bombas de tintas e feitas pichações nos muros e calçadas do prédio onde a golpista reside numa cobertura”.

O MST ainda declarou no post que “assistimos essa semana que o Supremo é tão golpista quanto Temer”, referindo-se ao julgamento do pedido de habeas corpus, impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação na Corte Suprema ficou em 6 a 5 contra Lula, sendo que a presidente deu o último voto.

Nota de repúdio

Em nota, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudiou os atos de vandalismo. A entidade disse ainda que “tem advertido constantemente para os riscos que a democracia brasileira tem corrido, pela intolerância que determinados segmentos tem pregado, com incitações à quebra da normalidade democrática”.

Em nota, a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) afirmou que nenhum magistrado pode ser constrangido ou punido por suas decisões.

O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luís Cláudio Chaves, disse que qualquer ataque a magistrados no exercício da função jurisdicional tem que ser repudiado.