Bolsonaro diz que vai pedir perícia independente sobre morte de miliciano na Bahia

O presidente Jair Bolsonaro disse na manhã desta terça-feira (18) ter pedido a realização de uma perícia independente da morte do miliciano e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar Adriano da Nóbrega.

O miliciano estava foragido havia mais de um ano e foi morto durante uma operação policial baiana no último dia 9 em um sítio na zona rural da cidade de Esplanada, na Bahia. Ele era suspeito de comandar um grupo criminoso que cometeu dezenas de homicídios, o Escritório do Crime. Ele foi expulso da PM por envolvimento com o jogo do bicho. Há mais de 15 anos atrás do seu envolvimento com o crime, ele foi homenageado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro (sem partido), hoje senador.

“Primeiro eu estou pedindo, já tomei as providência legais, que seja feita uma perícia independente, que sem isso você não tem como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle? Os mesmos a quem não interessa desvendar o caso Celso Daniel”, afirmou na saída do Palácio da Alvorada.

Disparo a curta distância e possível tortura

Adriano também era investigado pela suspeita de envolvimento no esquema no qual funcionários do então deputado Flávio Bolsonaro devolviam parte do salário que recebiam na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O miliciano era amigo do também ex-PM Fabrício Queiroz, que foi funcionário do gabinete de Flávio e indiciou a mulher e a mãe de Adriano para trabalhar lá.

Fotos divulgadas pela revista “Veja” na edição que chegou às bancas na última sexta-feira (14) indicam que Adriano foi morto por disparos a curta distância, um sinal claro de execução. Imagens da autópsia também indicam que Nóbrega tinha um ferimento na cabeça e uma queimadura no lado esquerdo do peito. A Polícia Militar da Bahia foi responsável pela operação que o vitimou.

De acordo com Bolsonaro, uma perícia independente deverá dizer se Adriano foi torturado e de que distância os disparos foram efetuados.

“Pelo que tudo indica, a própria revista ‘Veja’ fez, a ‘Veja’ ouviu peritos, e os peritos estão dizendo ali que, pelo que tudo indica, o tiro foi à queima roupa. Então, foi queima de arquivo. Interessa a quem a queima de arquivo? A mim? A mim, não. O que é mais grave agora?”, afirmou Bolsonaro, em referência à reportagem de “Veja”.

Fórum de governadores

Na manhã desta terça, Bolsonaro também comentou carta divulgada por governadores nesta segunda-feira (17). No documento, eles criticam a postura do presidente da República e o convidam para participar do próximo Fórum Nacional de Governadores.

Nas últimas semanas, a ação policial na Bahia que resultou na morte do miliciano foi um dos temas que gerou atrito entre Bolsonaro e os estados.

“Esperava que esses governadores que assinaram a carta sobre isso, esse assunto específico, Adriano, vamos deixar bem claro, fossem querer uma investigação isenta no caso Adriano”, disse Bolsonaro.

No fim de semana, Bolsonaro indicou que a morte do miliciano pode ter sido uma queima de arquivo. Essa hipótese é defendida pelo advogado da vítima, mas a polícia baiana argumenta que o miliciano estava armado e atirou contra os agentes no cerco feito em um sítio no fim de semana passado.