Seleção Brasileira de Karatê tem cinco baianos na luta por vaga nos Jogos de 2020

A menos de dois anos para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, cinco baianos estão confirmados na equipe olímpica 2018 pela Confederação Brasileira de Karatê (CBK). Williames Santos, Patrícia Carvalho, Lúcio Almeida e Milton Menezes, de Salvador, além de Hanna Lopes, de Itabuna, integram um grupo de 95 caratecas convocados para o time.

Inicialmente, o grupo vai competir em uma seletiva nacional. De acordo com a CBK, nesse primeiro desafio eles vão pontuar em um ranking especial que tem como objetivo uma vaga por categoria para o Mundial Sênior, que será disputado de 5 a 11 de novembro deste ano, em Madri, na Espanha.

As edições dos campeonatos mundiais costumavam ser o evento de maior relevância para o karatê. Isso mudará a partir de Tóquio-2020, quando será feita a inserção da modalidade na Olimpíada.

“Eu estava em casa, acompanhando a votação em tempo real e ao mesmo tempo me comunicando com atletas em várias partes do mundo pelas redes sociais”, contou Williames, de 28 anos, lembrando a histórica votação de 3 de agosto de 2016, no Rio, que incluiu o esporte nos Jogos.

Atual líder do ranking nacional do kata individual sênior masculino, ele é o principal destaque baiano no Time Brasil. O kata é a luta imaginária demonstrada individualmente pelos atletas, enquanto o kumitê envolve troca de golpes e o contato físico.

No ranking olímpico, que começou a disputar este ano, Williames ocupa a 66ª colocação. Já Patrícia é a quinta no ranking feminino do katá individual sênior, estando em busca de pontos no ranking mundial, enquanto Lúcio é o terceiro melhor brasileiro na categoria kumitê -67kg.

Falta de apoio

Apesar de estarem na seleção, os baianos sofrem com falta de apoio financeiro. A esta altura do ano, um patrocinador será decisivo para eles garantirem presença nas seletivas internacionais que somam pontos para o ranking olímpico.

“O que falta realmente é apoio. O critério de classificação para a Olimpíada é a participação no Circuito Mundial e as competições em sua maioria são na Europa. A gente participando desse circuito tem chance de se classificar e, consequentemente, de brigar por medalhas em Tóquio”, destacou Williames.

Concorrendo a uma vaga de técnico para os Jogos de Tóquio, o francês naturalizado brasileiro Fabrice Chiron teme que a vaga se torne impossível. Tanto pelo critério de classificação como pela falta de apoio. “Cada categoria terá dez atletas e apenas um de cada país se classifica. Pelo critério do ranking mundial, só vão quatro atletas classificados por categoria”, explicou.

Se não passarem por esse funil, os brasileiros terão ainda outros dois eventos. “A Seletiva Classificatória em Paris, em maio de 2020, classifica mais três por categoria. Depois, tem o ranking continental, que classifica dois por categoria”, completou Fabrice, que é radicado na Bahia. “Custa muito dinheiro disputar essas competições internacionais. Só com investimento de um patrocinador a gente vai conseguir resultados maiores”, concluiu Lúcio Almeida.

Apreensivos em relação a isso, os atletas baianos consideram que seria uma pena, logo na primeira participação do karatê em uma olimpíada, ficar de fora dos Jogos por falta de apoio. “Aqui na Bahia a gente tem a chance de disputar em quatro ou cinco categorias, das oito existentes. Chance real de medalha em todas as categorias. O que falta realmente é apoio”, afirmou Williames.