Início Destaque Por quê Olavo de Carvalho incomoda tanto os militares do Governo Bolsonaro?

Por quê Olavo de Carvalho incomoda tanto os militares do Governo Bolsonaro?

A ala militar dominante no Palácio do Planalto, forçou o presidente Jair Bolsonaro a redigir uma nota repudiando as declarações e críticas do filosofo e professor Olavo de Carvalho a integrantes do governo. O comunicado foi lido nesta segunda-feira, 22, pelo porta-voz General Rêgo Barros, afirmando que o pensador conservador “não contribui com os objetivos do governo no tocante ao bem estar social”.

A declaração lida de forma fria por um militar gerou controversias nas redes sociais, já que Olavo de Carvalho vinha defendendo o governo e o presidente Bolsonaro ante as movimentações conspiratórias do vice-Presidente Mourão e alguns militares no governo. Olavo faz uma alerta contra atitudes, declarações e entrevistas do General da reserva Mourão contra Bolsonaro e família no tocante a variados temas, revelando uma agenda completamente oposta dos interesses do Presidente da Republica.

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Nossa equipe levantou algumas manchetes de jornais que provocam reflexões sobre a unidade do governo:

A força das declarações

A nota foi provocada a partir de um video em que o Professor faz duras críticas a postura de militares em uma conversa informal no quintal de sua residencia. O video foi postado também no canal do Youtube do Presidente, repercutido e em seguida excluído por conta disso. Confira abaixo:

Em sua viagem aos Estados Unidos alguns meses atrás o Presidente Jair Bolsonaro se encontrou com Olavo de Carvalho em Washington, no vídeo abaixo postado nas redes sociais, Olavo é reverenciado pelo Presidente em um jantar na Embaixada dos Estados Unidos.

Bolsonaro em habituais gravações das lives, destaca um dos livros da autoria do professor e escritor Olavo de Carvalho “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” (a esq.)

Repercussão

Em meio a conflitos entre militares e olavistas, o líder evangélico deputado Marco Feliciano (Pode-SP), vice-líder do governo no Congresso, engrossou o caldo e apresentou formalmente um pedido de impeachment do vice-presidente Hamilton Mourão. Feliciado possui mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais e disse estar irritado com o que chama de “postura golpista” do vice, o parlamentar também listou uma série de ocasiões em que Mourão se contrapôs a Bolsonaro, incluindo a ida a Washington para uma palestra — o convite do evento citava a “paralisia política” do governo e tratava o vice como a “voz da razão e da moderação” na administração.

Deputado Marco Feliciano apresentou o documento com pedito de impeachment do vice-Presidente Hamilton Mourão

Em entrevista, o parlamentar subiu o tom e atacou Mourão, a quem chamou de “Judas”, “traidor” e “sem caráter”. Para Feliciano, o plano do vice é “roubar a cadeira do presidente”, justificando:

“Eu pedi (o impeachment) pelo bem do Brasil. Em favor da estabilidade das instituições e das reformas estruturais. Não é possível que o vice-presidente da República contradite diariamente o presidente em público. Não é possível que ele se coloque o tempo todo como alternativa de poder, em uma postura golpista à luz do dia. Isso gera instabilidade e mina a autoridade presidencial, mina a instituição Presidência da República, o que é ruim para o país e ruim para as reformas. Casa dividida não para em pé, e para aprovar a nova Previdência o governo tem de mostrar força e unidade. Mourão estava prejudicando muito isso.”

O filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), tem influência na administração das mídias sociais e repassou aos seus seguidores o sentimento de injustiça e partiu em defesa ao professor Olavo de Carvalho.

Os seguidores também se manifestaram em favor do Professor Olavo de Carvalho evidenciando as contradições que pairam em torno das pressões políticas que motivaram a nota.

O próprio Olavo se manifestou em uma rede social sobre a nota lida pelo porta-voz em relação aos seus pronunciamentos na condição de eleitor e pensador.

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