Exército dos EUA terá comandante brasileiro

Um general brasileiro passará a integrar, ainda este ano, o Comando Sul (SouthCom) das Forças Armadas americanas. A informação foi dada pelo almirante Craig Faller, que comanda divisão voltada à segurança americana na América Central, Caribe e a América do Sul. Faller falou à Comissão de Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos no dia 7 de fevereiro.

Em seu depoimento, o Brasil aparece, ao lado do Chile e da Colômbia, como países com os quais os EUA mais têm incrementado parceria. Depois de relatar o Brasil como primeiro signatário da América Latina do acordo para uso pacífico do espaço (“Space Situational Awareness Agreement”), a Colômbia como primeiro parceiro latino-americano na Otan e o Chile como parte do maior exército de guerra marítima do mundo (“Rim of the Pacific”), o comandante informou: “Até o fim do ano o Brasil enviará um general para servir como vice-comandante de interoperabilidade do Comando Sul”.

Em seu depoimento, o almirante valoriza a parceria como fundamental para a política de segurança americana: “Queremos inimigos que nos temam e amigos que façam parceria conosco”. Seis países são listados como ameaças aos interesses americanos: Rússia, China, Irã e seus “aliados autoritários” Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Visita do chefe do Comando Sul dos Estados Unidos

O almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos – United States Southern Command (USSOUTHCOM), iniciou nesta segunda-feira uma visita ao Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem conversou, entre outros assuntos, sobre a crise na Venezuela.

Segundo fontes oficiais, também foram abordados diferentes aspectos da cooperação entre Brasil e EUA, que aumentou desde a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Faller chegou a Brasília após ter feito na semana passada uma visita à cidade colombiana de Cúcuta, que junto com o estado de Roraima e Porto Rico, abrigará os três centros de coleta que receberão a ajuda humanitária solicitada pela Assembleia Nacional (Parlamento) da Venezuela.

Hoje também chegou à capital a advogada María Teresa Belandria, representante da Venezuela no Brasil nomeada pelo chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que em janeiro anunciou sua decisão de assumir a presidência do país, já que o parlamento declarou Nicolás Maduro como “usurpador” do poder.

María disse que o centro de coleta da ajuda humanitária começará a funcionar “nos próximos dias” e a prioridade serão alimentos e remédios que os venezuelanos “precisam com urgência”.

Segundo fontes diplomáticas, Faller se reuniu com autoridades militares e outros representantes do governo, e visitará a sede do Comando de Operações Espaciais, em Brasília.

O almirante também deve viajar ao Rio de Janeiro, onde conhecerá a Base de Itaguaí, centro do programa de desenvolvimento de submarinos da Marinha do Brasil.