“A gente vai dar porrada se não respeitar a gente”, diz Lula após protestos

Recebido por mais protestos em Chapecó (SC), durante a caravana que realiza pela região sul do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso inflamado no qual chamou manifestantes contrários a ele de “fascistas”, “nazistas” e “adversários da democracia”.

“Nós somos paz e amor, mas não pensem que vão bater nessa face e a gente vai dar essa [a outra] face. A gente vai dar é porrada se não respeitar a gente. Nós não queremos brigas, mas não fugiremos delas”, diz Lula.

Grupos pró e contra Lula entraram em confronto antes do início do comício do ex-presidente, realizado na praça Coronel Bertaso. A Polícia Militar interveio e disparou balas de borracha e bombas de efeito moral, de acordo com o jornal Diário Catarinense.

Reunidos próximo ao local onde Lula discursaria, os manifestantes contrários ao ex-presidente atiraram ovos em direção ao público que aguardava a chegada de Lula.

“Os fascistas, os nazistas estão tacando ovo na cara do povo, em mulheres, crianças. […] Hoje eles estavam querendo impedir de sair do hotel […] É como se quisessem impedir o melhor da Seleção de jogar”, discursou o petista.

Ao fim do evento, apoiadores acompanharam o petista em caminhada até o hotel em que ele está hospedado na cidade.

“Essa gente, moleques que nunca precisaram trabalhar na vida, com certeza não passaram no Enem e estão com raiva por isso. Se tivessem o mínimo de dignidade estariam beijando meus pés”, afirmou o ex-presidente, sendo ovacionado pelos apoiadores.

Protestos

Nesta sexta-feira (23), um ato que Lula faria em Passo Fundo teve de ser cancelado em razão de protestos realizados por apoiadores do deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Manifestantes queimaram pneus para obstruir a passagem da caravana de Lula.

O ex-presidente e alguns auxiliares mais próximos pernoitaram em um hotel próximo ao aeroporto e seguiram de avião para Florianópolis.

A caravana de Lula enfrentou novos protestos neste sábado em Florianópolis. Militantes de grupos moderados como o Vem Pra Rua e apoiadores de Bolsonaro se reuniram para rechaçar a presença de Lula na cidade.

Durante um comício realizado por milhares de apoiadores que encheram a Praça XV de Novembro no centro da capital catarinense nesta manhã, Lula disse que os petistas devem retribuir caso sejam agredidos pelos adversários.

Os grupos contrários e favoráveis ao ex-presidente foram separados por dois cordões da Polícia Militar e, apesar das hostilidades e provocações, não foram registradas agressões.

Depois que a caravana de Lula foi impedida de entrar em Passo Fundo (RS), o ex-presidente e alguns auxiliares mais próximos pernoitaram em um hotel próximo ao aeroporto da cidade e seguiram de avião para Florianópolis.

Da capital catarinense Lula seguiu para Chapecó (SC) novamente em voo fretado. A ideia inicial era que Lula fizesse apenas a etapa entre Passo Fundo e Porto Alegre de avião e o restante da caravana de ônibus. A mudança de planos fez com que a agenda do ex-presidente atrasasse mais de duas horas.

Segundo o ex-ministro Miguel Rossetto, um dos motivos para o desvio foi a falta de garantias de segurança. “A Secretaria de Segurança Pública e o comando da Brigada Militar disseram que não poderiam garantir a segurança até o aeroporto de Passo Fundo”, disse Rossetto, que é pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul.

A secretaria diz ter garantido a segurança da caravana mesmo não sendo sua atribuição já que na comitiva havia dois ex-presidentes –Dilma Rousseff acompanhou parte do périplo.